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15/05/2020

Açude Trussu acumula recarga de 59 milhões de metros cúbicos de água.

Por: Tribuna de ACOPIARA
Neste ano, o reservatório voltou a receber água da chuva depois de oito anos e o acumulado dá segurança de abastecimento de Iguatu e Acopiara por mais de dois anos.


O Açude Roberto Costa – conhecido por Trussu – em Iguatu, recebeu uma recarga entre 13 de março e 13 de maio de 59,3 milhões de metros cúbicos. Até meados de março passado, o reservatório acumulava 3,6 milhões de metros cúbicos (1,35%) e agora tem volume de 62,9 milhões (23,3%) de metros cúbicos de água.

As informações são do Portal Hidrológico da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). O açude é estratégico para o abastecimento de Iguatu e de Acopiara.

Açude Trussu em Abril de 2020

A partir de 2012, o Açude Trussu começou a perder volume de água chegando a ficar em situação muito crítica e sem qualidade de uso para abastecimento desde setembro do ano passado.

A recarga deste ano trouxe um alívio para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Iguatu. “A recarga foi bem superior ao que esperávamos”, disse o superintendente do órgão, Rafael Rufino. “Agora temos segurança hídrica por mais de dois anos”.

Atualmente, o Saae faz captação de 330 mil litros por hora do Açude Trussu e de 410 mil litros por hora de poços no Rio Jaguaribe.

Açude Trussu em dezembro de 2019.

Com informações do Diário do Nordeste.

25/04/2020

Bacia do Quincoê encontra-se com 100% de sua capacidade.

Por: Tribuna de ACOPIARA
A Barragem do Quincoê transborda 9 anos depois, em mesma data.

Barragem de Acopiara, Dr. Tibúrcio Soares (Barragem do Quincoê).
Foto: Mikael Teixeira

A Barragem de Acopiara, conhecida por Barragem Dr. Tibúrcio Soares, mas possui nome técnico de Barragem do Quincoê, atingiu 100% de sua capacidade e transbordou no inicio da noite de ontem, 24 de abril.


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Curioso que, a ultima vez que o reservatório havia transbordado foi no meio da tarde de 24 de abril de 2011. Mesma data e quase mesmo horário.

A Barragem do Quincoê é o principal reservatório do Rio* Quincoê. Com as chuvas dos ultimos dias a bacia do Quincoê atingiu sua capacidade máxima e todos os reservatórios que a compõe estão transbordando.

Barragem do Quincoê.
(Foto: Mikael Teixeira)

Em Acopiara a notícia do acontecido causou avorosso na população, que apesar das recomendações para não irem até a parede do reservatório, compareceram em número bem elevado para presenciar o tão raro acontecimento. Em outras ocasiões, a sangria da Barragem do Quincoê era motivo de grande festividade em suas dependências; mas este ano, por conta do coronavírus, o pessoal está mais contido. Contudo a felicidade é plena na cidade, pois a mesma vinha de 9 anos de seca e em 2019 secou por completo.

Rio Quincoê em Vermelho e Bacia do Quincoê em Azul.
Foto: Google Maps


A SECA EM ACOPIARA

Durante os últimos 9 anos, assim como boa parte do nordeste, Acopiara foi acometida de sua pior seca desde que se tem notícia. O abastecimento de água da cidade ficou profundamente comprometido e esta socorria-se de uma adutora emergencial que não conseguia suprir a demanda da cidade.

Barragem de Acopiara seca em Dezembro de 2019.
Foto: Redes Sociais


O racionamento de água tornou-se rotina no dia-a-dia dos acopiarenses e estes sofriam profundas privações por conta do liquido tão precioso. Nos últimos 4 anos, O principal reservatório ficava praticamente seco ao final do ano e em dezembro de 2019 o reservatório não contava com uma unica gota de água.

O abastecimento da cidade era feito através de uma adutora emergencial que transportava água desde o açude Trussú até a cidade. Devido a problemas estruturais e à distancia, o sistema de condução da águia não operava em sua plenitude e como consequência a demanda da cidade não era completamente atendida.
Adutora Emergencial do Trussu-Acopiara.
Foto: Desconhecido

Agora, a bacia do Quincoê está cheia e a população pode respirar aliviada, haja vista a situação já se aproximava do limite. Com sua carga máxima, a Barragem do Quincoê consegue abastecer a cidade durante 18 meses ininterruptos sem chuvas.

Barragem de Acopiara Sangrando, abril de 2020.

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* Inicialmente o Riacho Quincoê era classificado como um rio semi-perene, hoje é classificado como rio seco, mas o termo riacho é comum e popularmente aplicado.

19/04/2020

Acopiara precisa de 3x mais chuvas para encher barragem.

Por: Tribuna de ACOPIARA
Reservatório da cidade está atualmente com um terço da sua capacidade.

A população de Acopiara está cada dia mais animada com com as chuvas de 2020 e não raramente aparecem nas redes sociais previsões de que a barragem da cidade atingirá seu volume máximo esse ano.

Verdade seja dita, desde que iniciamos o esse período de seca, de 2012 até 2019, esse ano de 2020 é o ano em que o famoso reservatório acumulou maior volume de água. As mais diversas fotos que circulam nas redes sociais, mostram as aguas se aproximando dos "combogós da casa de força" da CAGECE.

Quem mora na cidade a muito tempo e presenciou o açude sangrando em outrora sabe que esses famosos combogós são a referencia para atestar o acumulo de agua do reservatório.

Barragem de Acopiara-CE. Ponto de referencia para sangria do reservatório.
Atualmente o nível de água da barragem já está bem elevado. Até o fechamento dessa reportagem, dia 19-04-2020, o nível já se aproximava bastante da referencia de transbordo, conforme poderemos verificar na foto abaixo.

Barragem de Acopiara, 19 de abril de 2020.
Porém, apesar das imagens serem animadoras, precisamos nos ater aos fatos e aos números. A FUNCEME realiza um acompanhamento diário dois reservatórios do Ceará, e segundo o órgão a Barragem Dr. Tibúrcio Soares, que é hidrograficamente conhecida por Bacia do Quincoê, está com apenas 33,24% de sua capacidade, conforme mostra infográfico abaixo. Isso significa que ainda vai precisar de muita, mas muita chuva para encher; chuvas essas que não parecem estar dispostas a caírem. 


 Esses dados estão disponíveis no portal da FUNCEME: http://www.funceme.br/produtos/script/acudes_e_rios/Boletim_diario_nivel_acudes/

02/04/2018

Finalmente a Barragem de Acopiara começa a acumular água, mas volume de chuvas ainda é muito pouco.

Por: Tribuna de ACOPIARA
Mesmo com as boas chuvas de janeiro, o reservatório ainda não tinha recebido água.

Barragem de Acopiara Dr. Tibúrcio Soares.
Imagem: Reprodução Redes Sociais.
Autor: Carlos Dehon Oliveira

Começam a chegar as primeiras imagens da Barragem Dr. Tibúrcio Soares com um pequeno acumulo de água em seu porão.

As águas ainda são bem poucas, mas anima o acopiarense, pois desde que o período chuvoso começo, em janeiro, agora foi que começou a formar-se a pequena poça de água.

Porém, ainda é preciso muita chuva para que o volume de água aumente de forma significativa.


Imagens da Barragem de Acopiara
Autor: Carlos Dehon Oliveira
Fonte: Redes Sociais



13/02/2018

Apesar das chuvas, açudes do Ceará seguem sem tomar água.

Por: Tribuna de ACOPIARA
Açudes do Ceará estão com 6% da capacidade de armazenamento. Maior açude do país, Castanhão, segue sem aumento no seu volume de água.


Os 155 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) têm volume de água de 6,63%. Os reservatórios do estado têm capacidade total de armazenamento de 18,63 bilhões m³.

Atualmente, o volume de água das bacias está distribuído: Litoral (35,32%), Alto Jaguaribe (5,89%), Coreaú (52,42%), Metropolitanas (14,02%), Serra da Ibiapaba (18,40%), Médio Jaguaribe (1,99%), Salgado (8,42%), Acaraú (16,16%), Banabuiú (2,19%), Sertões de Crateús (0,21%), Curu (9,06%) e Baixo Jaguaribe (0,94%).

No ano de 2018 foi registrado um aporte total de 44,53 milhões m³. No dia 9 de fevereiro, o aporte foi 1,80 milhão m³. Foram registrados aportes em 38 açudes, destacando-se os açudes Angicos, Ayres de Sousa, Banabuiú, Edson Queiroz e Jaburu.


Castanhão em situação crítica
O maior açude do país, o Castanhão, segue sem aumento no seu volume de água. O reservatório tem 2,16% da sua capacidade máxima. O açude chegou ao volume morto pela primeira vez em dezembro do ano passado.

Apesar da situação crítica, o Governo do Estado do Ceará afirma que a Grande Fortaleza, que recebe água do Castanhão, não corre risco de ficar sem água nos próximos meses.

Com a colaboração do G1.com

18/12/2017

Funcionários do Jaburu lavam carros com mangueira em meio à crise hídrica no DF; veja vídeo

Por: Tribuna de ACOPIARA
Imagens foram feitas na manhã desta segunda-feira. Por flagra semelhante, governo do DF proibiu irrigação de canteiros em prédios públicos.

Em plena crise hídrica em Brasília, Palácio do Jaburu usa água para lavar carros.

Em plena crise hídrica, a TV Globo flagrou funcionários do Palácio do Jaburu – residência oficial onde vive o presidente da República Michel Temer – lavando carros oficiais com mangueiras. As imagens foram feitas pelo repórter cinematográfico Diogo André na manhã desta segunda-feira (18).

Na grama, equipamentos também faziam a irrigação, apesar de nos últimos dias ter chovido praticamente todos os dias no Distrito Federal.

Em nota, a Presidência informou que não tem usado o sistema de irrigação durante o período de chuvas. "Entretanto, no dia de hoje a equipe que cuida da rede de irrigação estava fazendo manutenção nos dutos, deste modo foi necessário ligá-la para a realização de testes."

Funcionários irrigam carro oficial no Palácio do Jaburu (Foto: TV Globo/Reprodução)
"Os carros oficiais que atendem as equipes de segurança do Presidente e família são lavados com controle rigoroso do consumo de água. A água que abastece o Palácio do Jaburu é fornecida pela Caesb [a Companhia de Saneamento do DF]", continuou a Presidência.

"A Administração do Palácio informa ainda que há sim orientações para reduzir os gastos, inclusive estudos formam solicitados para reestruturação no sistema de aspersores, com o objetivo de reduzir o consumo de água naquele Palácio."

Lavar o carro durante 30 minutos com a mangueira não muito aberta gasta 216 litros de água. Com meia volta de abertura, o desperdício chega a 560 litros. A orientação para consumir menos água é lavar o carro somente uma vez por mês, com balde. Neste caso, o consumo é de apenas 40 litros.

Proibido
Em outubro, o governador Rodrigo Rollemberg determinou a suspensão imediata da irrigação dos canteiros de prédios públicos da capital federal.

A decisão foi tomada após a TV Globo flagrar um funcionário irrigando as plantas do Palácio do Buriti, sede do governo do DF, com uma mangueira.

Jardineiro irrigando plantas no Buriti (Foto: TV Globo/Reprodução)

A determinação também inclui o Palácio do Buriti. No entanto, não vale para prédios que são de competência do governo federal, como o Jaburu.

Segundo a nota do governo, a ordem foi enviada à Novacap, responsável pela manutenção do espaço urbano do DF. Além dos jardins de prédios públicos, o órgão também cuida das áreas verdes de quadras residenciais e comerciais de toda a capital.

Desde janeiro deste ano, o DF passa por racionamento de água. Apesar da volta da chuva, a situação segue considerada crítica. Por isso, não há estimativa de quando a restrição deve acabar. Toda semana, o G1 atualiza o cronograma do racionamento, em que dá para conferir as áreas afetadas pelos cortes diariamente.

Com a colaboração do G1.com

19/08/2017

100% do território cearense corre risco de desertificação, alerta Funceme.

Por: Tribuna de ACOPIARA

Estudo da Funceme constata que 17.042 km², equivalentes a 11,45% do estado, estão fortemente degradados e suscetíveis à desertificação.

Ceará sofre com seca prolongada, o que agrava a situação da desertificação

Com 100% do território suscetível à desertificação, o Ceará é o único estado da federação que pode se tornar completamente infértil se não houver um trabalho de recuperação das áreas em situação mais crítica.

A desertificação é definida pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação como sendo a degradação de terras, nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas. O fenômeno é resultante de diversos fatores, entre eles as variações climáticas e atividades humanas.

Mapeamento atualizado do território cearense realizado em 2016 constatou que 17.042 km², equivalentes a 11,45% do estado, estão fortemente degradados e suscetíveis à desertificação, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Para Margareth Carvalho, gerente do Núcleo de Recursos e Meio Ambiente da Funceme, a recuperação dessas áreas é, em tese, possível. "Para isso, precisamos de políticas públicas que tratem de manejo e conservação do solo", acredita.

Os cinco anos de seca contribuíram, fortemente, para o agravamento da situação. “Em 2013, contabilizamos mais de 30 mil açudes pequenos, de até meio hectare. Três anos depois, em 2016, o número desses açudes caiu para menos de 18 mil”, relata Margareth Carvalho. Segundo ela, o reservatório cria um ambiente mais úmido que contém o solo, diminuindo o processo de erosão e permitindo agricultura de subsistência.

Outro fator que agrava a qualidade do solo é a queimada, quando o agricultor põe fogo na mata para realizar plantio ou fazer pastagem. O processo, além de destruir a vegetação, retira a camada orgânica do solo, deixando-o mais pobre em nutrientes.

No período de ventos fortes no Ceará, de julho a novembro, o fogo pode ser alastrar facilmente destruindo grandes áreas da caatinga. Por essa razão, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) suspendeu, até o fim de dezembro, as queimadas controladas no Ceará a fim de proteger a cobertura florestal da caatinga.

Em laranja estão as áreas fortemente degradas e em processo de desertificação. As demais áreas do estado são suscetíveis à desertificação. (Foto: Funceme/Divulgação)

Segundo o Programa de Ação Estadual de Combate à Desertificação (PAE), foram classificadas como áreas suscetíveis à desertificação, as que possuem degradação da cobertura vegetal, assoreamento dos rios, pastoreio excessivo, perda da biodiversidade, perda da capacidade produtiva do solo, baixa relação entre capacidade produtiva dos recursos naturais e a sua capacidade de recuperação. As áreas apontadas como mais suscetíveis à desertificação no Ceará são Sertões dos Inhamuns, Sertões de Irauçuba, Centro Norte e os Sertões do Médio Jaguaribe.

Em 2009, estudo do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), identifica 15 municípios do Ceará com maior propensão à desertificação: Canindé, Morada Nova, Catarina, São João do Jaguaribe, Ibicuitinga, Itatira, Umari, Deputado Irapuan Pinheiro, Acopiara, Madalena, Quixadá, Ocara, Palhano, Ibaretama e Paramoti.

Brasil
No Brasil as Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD) possuem uma extensão de 1.340.863 km² e contam com uma população de 34 milhões de pessoas, onde 50% delas estão abaixo da linha da pobreza.

Prática de queimadas, comum no interior do Ceará, agrava ainda mais o problema da desertificação

São, ao todo, 1.494 municípios em 11 estados da Federação. Mapeamento realizado pela Funceme identificou que 70,5 mil km² dessa área já estão na categoria de Fortemente Degradado, onde já está comprometida a produção agrícola, e a produtividade dos recursos naturais é muito baixa, com profundo reflexo sobre a capacidade de suporte para a vida humana e animal.

Causas
Vários fatores contribuem para a desertificação e, segundo especialistas, o processo ocorre, principalmente em áreas com grande índice de pobreza. Os fatores apontam para uma correlação negativa entre os índices de propensão à desertificação e o Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM) - e seus subíndices.

Voçorocas fazem parte da paisagem em Gilbués

Entre as principais causas para a desertificação de uma área estão:
  • Uso intensivo da terra até a exaustão, sem preocupar-se em repor os elementos assimilados pelas plantas: não há um tempo do pousio adequado;
  • Sobrepastoreio: uso da terra com uma população animal acima de sua capacidade de suporte o que provoca ainda, a compactação do solo;
  • Desmatamento: deixando o solo totalmente desprotegido e favorecendo a erosão;
  • Queimadas que destroem a microfauna e as matérias orgânicas do solo;
  • Extrativismo de madeira para a produção de lenha feito de modo predatório;
  • Manejo e utilização com lavouras com a utilização de implementos agrícolas inadequados e plantação realizadas morro abaixo;
  • Irrigação: provocando a salinização e alcalinização do solo, por capilaridade, agravado pelos balanços hídricos negativos na maior parte do ano;
  • Mineração, por se tratar de atividade predatória, devasta todo o ambiente em volta;
  • Densidade populacional: cerca de 28hab./km² (uma das mais elevadas, tomando-se por base outras regiões semiáridas).

Consequências
Entre os efeitos da desertificação sobre a fertilidade do solo, estão a baixa qualidade e disponibilidade dos recursos hídricos, que compromete a produtividade das culturas; a quantidade de terra arável; a produção de alimentos para subsistência e comercialização; agravamento de problemas sociais como desemprego, baixo nível de renda e êxodo rural, ocasionando a condição de pobreza.

Também são consequências da desertificação:
  • Queda na produção, determinada pela perda da matéria orgânica e nutrientes da camada superficial do solo e diminuição da água útil;
  • Perda da biodiversidade, uma vez que só plantas e animais mais rústicos e resistentes sobrevivem em condições tão desfavoráveis;
  • Agravamento dos problemas sociais pela perda da renda da aquicultura;
  • Migração, resultando em um maior número de favelas, aliada à incapacidade das cidades de prestar serviços básicos a esta população;
  • Perda de solos por erosão, que destrói as estruturas (areias, argilas, óxidos e húmus) que compõem o solo, contribuindo para o processo de desertificação;
  • Assoreamento: fenômeno já bem observável em nossos reservatórios, intensificado pela remoção da vegetação das margens dos reservatórios;
  • Aumento das secas edáficas. Como o solo é um sistema poroso que armazena água, na medida em que se diminui sua espessura (devido a erosão) ele armazena menos água.


Com a colaboração do G1.com


02/06/2017

Após período chuvoso, açudes do Ceará têm volume menor de água que 2016

Por: Tribuna de ACOPIARA

Chuvas nos primeiros meses do ano contribuíram para que a situação não fosse ainda mais crítica. Especialista diz que população deve considerar racionamento com 'naturalidade'.


Com o fim do período de chuvas no Ceará, janeiro a maio, as perspectivas de precipitações diminuem e, consequentemente, da recarga dos açudes que abastecem o estado. Em 2017, os níveis de água reposta aos reservatórios durante os primeiros meses do ano fizeram com que os açudes alcançassem um patamar um pouco abaixo que no mesmo período de 2016.

De acordo com os dados publicados diariamente pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o atual nível das bacias está em 12,58% da capacidade total. Na mesma data do ano passado, havia uma reserva de 12,92% do volume das bacias.

As chuvas dos últimos meses contribuíram para que os níveis não tivessem uma redução ainda mais brusca, com o acréscimo de 1,3 bilhão de metros cúbicos de água nos açudes. Em janeiro de 2017, os níveis estavam ainda mais preocupantes, com apenas 6% da capacidade das bacias.

O Monitor de Secas do Nordeste do Brasil, ferramenta mantida em parceria por diversas instituições federais e estaduais, aponta que as chuvas ocorridas em abril colaboraram para a diminuição da intensidade da seca. Se em janeiro de 2017, por exemplo, o Ceará variava de seca grave, na região norte, a seca excepcional, do centro ao sul, em abril, a variação já circulava no território cearense entre seca fraca a seca grave.

Situação crítica
Ainda que o aporte de água das chuvas tenha minimizado a situação crítica percebida no começo do ano, a situação vista no ano anterior não melhorou. Essa é a conclusão de Nilson Campos, professor da pós-graduação em Recursos Hídricos da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro da Academia Cearense de Ciências.

"É possível que se aproxime de uma situação crítica que seja um quase colapso no início do próximo ano. Se for configurada mais um ano de seca, é uma situação muito provável", considera.

Para o especialista, é possível que ações mais rigorosas para o controle do uso da água precisem ser tomadas. "Nós devemos continuar com dificuldades no abastecimento. No ano passado tínhamos uma condição um pouco melhor, mas mesmo assim houve racionamento, principalmente com relação à agricultura irrigada. Então é provável que haja uma situação de racionamento mais acentuada que em 2016. A necessidade de racionamento deve ser aceita com mais naturalidade pela sociedade. É necessário que as populações urbanas economizem ainda mais água", relata Campos.

Dentre as opções viáveis para diminuir os riscos da falta de água para o Ceará, Campos aponta a transposição do Rio São Francisco. "A transposição é a chave. Sozinha não resolve o problema do estado como um todo, mas dá a garantia de não haver um colapso. É preciso também ver uma maneira de pensar o futuro das águas no estado. Não dá para ter uma política de instalar várias indústrias que vão consumir muita água. Na crise também é preciso pensar no pós-crise, para que outras mais graves não aconteçam", conclui o professor.

Balanço
Para o secretário de Recursos Hídricos do Estado do Ceará, Francisco Teixeira, após essa quadra chuvosa, o problema se concentra principalmente na região do Vale do Jaguaribe, já que açudes como o Castanhão, o Banabuiú e o Orós não tiveram grandes aportes. Já as bacias da Região Metropolitana de Fortaleza estão com cerca de 49% do volume o que, de acordo com o gestor, podem ser suficientes para terminar o ano.

"A nossa preocupação agora reside no próximo ano. A gente tem que continuar com o mesmo patamar de uso de agora, incrementando ainda mais ações de controle de perdas, de diminuição de consumo e diversificação das fontes hídricas, para poder atravessar não só esse ano, mas também o próximo, mesmo que haja seca em 2018", afirma Teixeira.

Com o abastecimento moderado do sistema da região metropolitana, Francisco Teixeira se mostra cauteloso ao considerar um colapso no sistema de distribuição de água, mas assevera a importância de manter a economia, já que não há reservas nas bacias maiores, caso as da Grande Fortaleza se esgotem.

"Dependemos da boa gestão dessa água para podermos atravessar mais um ano para frente. Mesmo que o ano seguinte seja de alguma seca, mas que caia alguma água. Se a do próximo ano for pelo menos igual a desse ano, a gente atravessa o resto desse ano e o próximo. Mas for seca total em 2018, aí a coisa dificulta. Por isso temos que fazer economia total logo agora", diz.


Acopiara
A cidade de Acopiara, no centro sul do estado, distante cerca de 350 Km da capital Fortaleza, é uma das cidades mais afetada pela ausência de chuvas. A situação, se comparada com 2016, piorou bastante. Se o quadro não mudar, a cidade deverá enfrentar 3 problemas graves decorrentes da seca prolongada:
  1. A barragem da cidade, que não aumentou seu nível de Água neste ano, provavelmente secará por completa;
  2. Os açudes circunvizinhos também deverão secar pois não acumularam água suficientemente para socorrer uma demanda mais elevada;
  3. O açude do Trussú, socorrista da cidade em tempos de pouca água, também começa a enfrentar problemas decorrentes da escassez de chuvas e brevemente não conseguirá mais abastecer a região.

Aí vem a pergunta:
Se o quadro descrito acima se confirmar, o que será dos Acopiarenses?


Com a colaboração do G1.com

31/05/2017

Cidades do Nordeste correm risco de 'restrição na disponibilidade de água', aponta estudo. Acopiara está inclusa na área de risco.

Por: Tribuna de ACOPIARA

Água de todos os reservatórios da região semiárida brasileira é insuficiente para abastecer o açude Castanhão, que leva água à Grande Fortaleza.



O período chuvoso no Ceará, que ocorre de fevereiro a maio, encerrou com pouca precipitação, e algumas cidades do estado estão sem abastecimento regular nas torneiras. Com chuvas abaixo do esperado, o Nordeste enfrenta o sexto ano seguido de estiagem, na maior seca do território em 100 anos, de acordo com o Governo do Estado. Um estudo aponta que cidades do Nordeste brasileiro podem enfrentar "restrição na disponibilidade de água neste ano" como consequência da falta de chuvas.

Barragem Dr. Tibúrcio Soares em Acopiara também
enfrenta  problemas com falta de água durante
o inverno de 2017 que tem sido abaixo da média
A pesquisa feita nos estados que fazem parte do semiárido brasileiro (os estados do Nordeste, exceto Maranhão, e Minas Gerais) revela que os açudes da região têm atualmente 16,9% da capacidade. A água de todo o território é insuficiente para abastecer o Castanhão, que leva água à Grande Fortaleza.
O Castanhão apresenta 5,7% da sua capacidade, metade do que tinha há 12 meses. "Em meados de maio, nós tínhamos um percentual de 10% de volume água. Hoje, nós contamos com 5,71%; 5% foi usado por todos aqueles que se servem desse recurso", explica Fernando Pimentel, administrador do Castanhão.

O estudo do Instituto Nacional do Semiárido, do Ministério da Ciência e Tecnologia, fez a soma em tempo real do volume de todos os reservatório da região (452), em nove estados. Metade deles está com menos de 10% da capacidade máxima.

Para o coordenador do estudo, alguns estados podem sofrer com falta de água, e não apenas no interior.


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"O risco de colapso sempre existe, isso vai depender muito do gerenciamento que se vai dar a essa água. Por exemplo: a Paraíba, o semiárido paraibano, o semiárido potiguar e também o cearense, vai ter restrição na disponibilidade de água. Então, o racionamento pode vir a ser um componente dos próximos dias", alerta Salomão de Sousa Medeiros, doutor em recursos hídricos e diretor do Insa.

Sem água nas torneiras
Em São Luiz do Curu, a 90 quilômetros de Fortaleza, a água que chega às torneiras é irregular e imprópria para beber.

"A gente tem que comprar para beber também porque a água que vem é salgada e não vem todo dia e não é todo dia que tem na nossa torneira. Ela passa quatro, cinco, seis dias para voltar", relata a dona de casa Antonízia Herculano.

Com chuvas irregulares no Ceará neste ano, os maiores açudes do estado seguem com baixa reserva de água. Em média, os 153 açudes monitorados pela Coordenadoria de Recursos Hídricos (Cogerh) têm 12,% da capacidade.

Com a colaboração do G1.com


Ceará usa máquinas e técnicas de extração de petróleo para captar água.

Por: Tribuna de ACOPIARA

Técnica foi utilizada no Brasil pela primeira vez nesta quarta-feira em Cumbuco, na Grande Fortaleza.


Em busca de água no subsolo para amenizar os efeitos da seca, o estado do Ceará iniciou nesta quarta-feira (31) o uso pioneiro de técnicas de extração de petróleo para captação de água. Os poços escavados com o equipamento petrolífero são horizontais, diferente das fontes convencionais de água. Para isso, os especialistas estão adaptando a técnica às condições do solo arenoso para possibilitar o aproveitamento do aquífero Dunas/Cumbuco, na Grande Fortaleza.

O governador do Ceará, Camilo Santana, afirma que a ação faz parte da meta do Governo de alcançar a autonomia no Complexo Industrial e Portuário do Pecém e assegurar o uso exclusivo das águas da bacia metropolitana para a população da capital e de proximidades.

"Essa é mais uma das ações de segurança hídrica e é importante dizer que se trata de uma ação pioneira no Brasil. Pela primeira vez se utiliza essa metodologia para perfuração de poços. Geralmente ele é feito vertical, agora são dois poços na horizontal", explica o governador.

A perfuração de poços horizontais tem expectativa de vazão de 200 por segundo para abastecer a Região Metropolitana de Fortaleza. A iniciativa tem investimento total de R$ 7,2 milhões. Ao todo, serão dois poços, de 500 metros cada. A previsão de entrega é setembro deste ano.

Com a colaboração do G1.com


Bacia do Quincoê encontra-se em estado crítico. Barragem Dr. Tibúrcio Soares ainda não tomou água neste ano.

Por: Tribuna de ACOPIARA

Barragem Dr. Tibúrcio Soares é o principal reservatório da bacia do Quincoê.

Barragem Dr. Tibúrcio Soares
Bacia do Quincoê - Acopiara-CE

Acopiara não é conhecida apenas por suas festas de carnaval. Acopiara também é conhecida por abrigar um rio seco. O rio Quincoê que é afluente do rio Trussu. 

A bacia do Quincoê é composta pelo rio de mesmo nome e tem como principal reservatório a Barragem Dr. Tibúrcio Soares, principal fonte de abastecimento da cidade de Acopiara.

A fonte do Rio se dá no alto da serra do Fonseca e deságua no Rio Trussu em Iguatu.


Localização da bacia do Quincoê com a indicação de sua situação hídrica atual.
Fonte: Portal Hidrográfico do Ceará

Saiba Mais
Açudes do Ceará têm média de 10,3% da capacidade, afirma Cogerh. Bacia do Quincoê está no seu volume morto.


Rio Seco
O termo correto é 'Rio Intermitente'.

Segundo a Wikipédia, "Rio intermitente ou temporário é aquele que durante o período das chuvas (ou 'cheias'), normalmente no inverno, apresenta bastante água em seu curso e durante o período de estiagem (período das 'secas'), normalmente no verão, desaparece temporariamente. Em geral, seca completamente durante determinadas épocas de menor pluviosidade."

Imagem de Satélite da Situação hídrica da Barragem de Acopiara em Janeiro de 2018.

Por sua característica peculiar de só ter água no período do inverno, o Rio Quincoê é rotineiramente confundido com um riacho. Mas não confunda; o volume de água que corre nele é bem maior que o volume indicado para um riacho e por isso sua classificação hidrográfica é de rio intermitente.

Rio seco não que dizer falta de Água
O fato do rio Quincoê ser um rio intermitente não significa que falte água em seu reservatórios. Pelo contrário; pelo fato de ser um rio, as barragens do rio sempre gozaram de muita água e recargas abundantes no período do inverno.

A seca Prolongada
A seca prolongada que dura dolorosos 6 anos tem mudado esse cenário e o rio não consegue mais abastecer suas barragens de forma adequada. A barragem de Acopiara, principal reservatório da baica do Quincoê, encontra-se em estado crítico devido à essa falta continua de chuvas regulares.

Segundo relatório expedido pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), nesta segunda-feira, 27 de março, a Barragem Dr. Tibúrcio Soares encontra-se no seu volume morto com menos de 9% de sua capacidade. conforme constatamos em fotos tiradas pela reportagem do Tribuna nesta terça-feira, 28 de março. Confira:

Barragem de Acopiara-CE ao entardecer de 28/03/2017 (Foto: Tribuna de Acopiara)

Imagem de Satélite em terceira dimensão da situação hídrica da Barragem de Acopiara em Janeiro de 2018.

Confira abaixo vídeo gravado em janeiro de 2017.



09/05/2017

Chuvas permanecem escassas no Estado do Ceará. Situação em Acopiara preocupa.

Por: Tribuna de ACOPIARA

O ano de 2017 tem sido decepcionante e cidade do interior deverão enfrentar racionamento de água se não chover mais.

A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou, entre as 7h de domingo e 7h de ontem, chuvas em 26 municípios. As três maiores precipitações ocorreram em Sobral (35.8mm), Paracuru (31mm) e Fortaleza (23.6mm). O Estado enfrenta um veranico que se prolonga em várias regiões desde a segunda quinzena de abril.

No último domingo, a Funceme observou chuva em apenas nove cidades, de reduzida pluviometria, inferior a 13mm. Para hoje e amanhã, o tempo deve permanecer com nebulosidade variável e há chances de ocorrer chuvas isoladas em todas as regiões do Estado.

A nebulosidade sobre o Ceará está associada a áreas de instabilidade que se formam sobre o Oceano Atlântico, e se deslocam em direção ao continente, de acordo com explicações de meteorologista da Funceme, Raul Fritz. O principal sistema indutor de chuvas no Ceará, neste período do ano, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), permanece afastado da costa norte do Nordeste brasileiro, padrão observado durante os últimos dias.

De acordo com o Portal Hidrológico da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), foram registrados, ontem, aporte de apenas 1,5 milhões de metros cúbicos em 31 açudes, destacando Acarape do Meio, Angicos e Jaburu II. O reservatório São José III entrou em volume morto.

O volume atual médio nos 153 reservatórios monitorados pela Cogerh no Estrado é de 12,6%. No momento há dez açudes sagrando, 38 continuam em volume morto e 17 permanecem secos. Estão transbordando os seguintes reservatórios: Acaraú Mirim (Massapê); Angicos (Coreaú); Gameleira e Quandu (Itapipoca); Itabebussu e Maranguapinho (Maranguape); Itaúna (Granja); São Pedro Timbaúba (Miraíma); Tucunduba (Senador Sá); e São Vicente (Santana do Acaraú). Os açudes que estão transbordando ficam na região Norte, nas bacias do Acaraú, Coreaú e Litoral.

As chuvas na atual quadra não foram suficientes para a recarga dos médios e grandes reservatórios. Os três maiores reservatórios do Estado (Castanhão, Orós e Banabuiú) perderam volume e aumenta o risco de desabastecimento em importantes cidades e a dependência das águas de transposição do Rio São Francisco.

As chuvas irregulares e os veranicos observados desde o dia 15 de abril também afetam a safra de grãos em várias regiões Ceará, que registra perda em diversas regiões.

Acopiara
A cidade de Acopiara está com seu principal reservatório praticamente seco. O último relatório da Cogerh indicou que a Barragem Dr. Tibúrcio Soares está apenas com 8,3 % da capacidade total. A situação é ainda mais preocupante porque o açude do Trussu, que abastece a cidade atra´ves de uma adutora emergencial também não tomou água significante este ano e pode entrar em colapso se não chover mais.

Situação atual da Barragem de Acopiara Dr. Tibúrcio Soares.

Na noite desta segunda para terça, choveu em Acopiara, mas como costumeiro, foi uma chuva de baixa intensidade e não acumulou água nos reservatórios.

Para a semana a previsão é de mais estiagem na Terra do Lavrador.

Com a colaboração do Diário do Nordeste, Cogerh e Funceme.

06/05/2017

Açude Adauto Bezerra secou há dois anos.

Por: Tribuna de ACOPIARA

A esperança é a implantação de uma adutora de 38Km de extensão


Esta cidade do Vale do Jaguaribe enfrenta uma grave crise de desabastecimento de água. O Açude Adauto Bezerra, que atendia a demanda dos moradores, secou há mais de dois anos. Em janeiro passado, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) suspendeu o atendimento por meio de carros-pipa na área urbana. O quadro agravou-se e a alternativa que resta aos moradores é comprar água de caminhões particulares.

Apenas uma vez por semana, e durante duas horas, no centro da cidade ainda chega um pouco de água nas torneiras. A esperança dos moradores é a implantação de uma Adutora de Montagem Rápida (AMR) de 38Km de extensão, sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), que vai captar água no Rio Jaguaribe, na localidade de Mapuá, oriunda do Açude Orós. O serviço deve ser concluído no início de junho, segundo o encarregado, Edvaldo Pereira.


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O aposentado Francisco Cavalcante da Silva, 92, sempre morou em Pereiro. Ao longo da vida, já enfrentou secas intensas e traz na memória as dificuldades nas estiagens de 1932, 1958, 1970 e outras mais recentes. "Naquele tempo, a gente conseguia água nas cacimbas, mas agora secou tudo", contou. Com os olhos lacrimejando, retirou R$ 25 para pagar o abastecimento de mil litros por carro-pipa particular. Se fosse água de melhor qualidade, para o consumo humano, seria bem mais caro. Na cidade, os pipeiros vendem mil litros por R$ 75. "O senhor está vendo eu pagar, com dificuldade, porque não tem um pingo de água aqui em casa", disse.

Nas ruas da cidade, o vai-e -vem de carros-pipa é cena diária e comum. Há dezenas deles a serviço da Operação Pipa do Exército, que fazem a captação de água distante mais de 100Km, na cidade de Jaguaribara. A presença de dezenas de caixas plásticas de água, que funcionam como cisternas, com capacidade para cinco mil litros, modificou a paisagem urbana de Pereiro. Há uma delas na praça bem em frente à Igreja Matriz. Outras espalhadas nos bairros.

O abastecimento era feito pela Defesa Civil do Estado, mas está suspenso desde janeiro passado, segundo o secretário de Meio Ambiente e coordenador da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), Jobenemar Carvalho dos Santos. O município deve receber mais dez caixas, com capacidade ampliada para 10 mil litros, doadas pelo Dnocs, e que serão instaladas em pontos estratégicos.

Apesar da crise de desabastecimento, há poços que foram perfurados pelo governo do Estado por meio da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), mas que nunca funcionaram por falta de instalação da rede de energia elétrica pela Enel Distribuidora.

Na zona rural de Pereiro, a situação melhorou porque as cisternas receberam água das últimas chuvas. Os pequenos açudes também tiveram um pouco de recarga. De 19 rotas da Operação Pipa, que atende a 90 comunidades rurais, cerca de 60% devem ser desativadas. (H.B.)

Com a colaboração do Diário do Nordeste

Mesmo seco, açude em Banabuiú ainda abastece a população.

Por: Tribuna de ACOPIARA

Com apenas 0,73% de sua capacidade, o açude ainda abastece as pessoas através de carros pipas e animais.


Mesmo com apenas 0,73% da sua capacidade, o Açude Arrojado Lisboa (Banabuiú) ainda tem água o suficiente para abastecer a população urbana desta cidade do Centro do Estado. Segundo José Ariston Queiroz, funcionário do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), administrador do terceiro maior reservatório público do Ceará - os outros dois São o Castanhão e o Orós - está atualmente com 9,6 milhões de m³.

Pelos cálculos do administrador, se não acumular água nos meses de maio e junho, quando ainda há perspectiva de chuvas na região, o volume hídrico atual poderá garantir água para os moradores da sede por dois anos. Essa situação já ocorreu em 2001, quando o nível da água chegou a ser praticamente o mesmo. O Arrojado Lisboa tem capacidade para 1,6 bilhões de m³.


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Sobre o abastecimento da cidade, o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Raimundo Nobre Lopes, conhecido como Bento, informou que a água está chegando às torneiras a cada 24h intercaladas, mas não se trata de racionamento, embora o governo municipal já esteja planejando uma campanha de uso consciente da água.

O Açude Vieirão está seco. Mesmo assim a o SAAE capta água do subsolo.

Conforme Bento o problema atual não é a falta d'água, mas o sistema de abastecimento obsoleto do SAAE. O Serviço começou a funcionar na sede de Banabuiú há 26 anos. Atendia pouco mais de mil unidades de consumo. Hoje, esses números são mais que o dobro, 3.400 e a cidade ainda conta com uma indústria de grande porte, a metalúrgica Libra. "A Prefeitura já elaborou um projeto de expansão. Em breve estará sendo executado", acrescentou.

Mesmo assim o gestor do SAAE pretende desenvolver campanhas junto à população pelo uso consciente da água. "A nossa preocupação vai começar se o nível do açude se reduzir ainda mais. A água precisará de mais tratamento para ser distribuída à população. Esse tratamento vai elevar os custos do serviço, aumentando o preço do metro cúbico. Hoje, cada unidade paga R$ 15 por 10 mil m³", completou. (A.P.)

Com a colaboração do Diário do Nordeste

30 mil pessoas estão sem água em Boa Viagem.

Por: Tribuna de ACOPIARA

No Município do Sertão Central do Ceará, não apenas os habitantes da zona rural, mas os da cidade também sentem os efeitos da escassez de chuvas.

O Açude Arrojado Lisboa ainda abastece Banabuiú

A falta d'água não é privilégio apenas de quem mora nas comunidades rurais do Interior do Ceará castigadas pela estiagem. Nos últimos anos, o colapso hídrico passou a atingir também a população urbana de cidades de médio porte, como Boa Viagem, a 220Km de Fortaleza. O problema só não é mais grave porque a equipe do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) se esforça para garantir o abastecimento nos chafarizes instalados nos bairros. A Defesa Civil do Estado auxilia com carros-pipa e o governo do Estado com poços profundos.


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Passados seis anos, as chuvas ainda não foram suficientes para repor sequer o volume morto de água no Vieirão, como é conhecido o açude José Vieira Filho, com capacidade para 21 milhões de m³. Dele o SAAE capta a água para abastecer a população urbana. Mesmo assim, as chuvas de março trouxeram um pouco de alívio para os próximos quatro meses. As valas abertas para instalação dos ponteiros, um sistema de captação de água do subsolo, receberam um pouco de água. Será o suficiente para abastecer as unidades ligadas à rede pelo menos a cada duas semanas. A cidade é dividida em 15 bairros.

Sofrimento Coletivo
Nem mesmo o Paço Municipal escapou do racionamento. No hospital, nas escolas, nos hotéis, no comércio, onde não existe poço profundo o jeito é aguardar a passagem de algum carro-pipa. Os caminhões-tanque já são familiares no trânsito da cidade. Sempre são vistos circulando de um lado para o outro pelas principais ruas. Quem pode, paga até R$ 200 por uma carrada de sete mil litros para amenizar o problema, explica o diretor do SAAE Odécio Vieira. A residência dele também está incluída no rodízio, esclarece.

Atualmente, a cidade conta com 10.813 ligações de unidades consumidoras à rede de abastecimento. Desse total, apenas a metade está conseguindo ter água nas torneiras, mesmo assim enfrentando o racionamento. A maioria dos consumidores é humilde, com renda familiar limitada a um salário mínimo. Pelo consumo mensal de até 10 mil litros pagam R$ 18,60.

Hoje percebem a importância do consumo com consciência. Agora, cada gota é considerada um tesouro precioso na "joia do Sertão Central", como Boa Viagem é conhecida.

Risco de interrupção
A prefeita Aline Vieira acaba de assumir a administração do Município. A preocupação, no momento, não está apenas nas dívidas deixadas pelo gestor anterior, mas no abastecimento d'água. Além do esforço do SAAE, ela precisa contar com o auxílio da Defesa Civil, mas foi alertada da paralisação do abastecimento a qualquer momento, por falta de pagamento.

Com o corte no abastecimento, será necessário desembolsar pelo menos R$ 50 mil todo mês para garantir um mínimo de água para a população. Outros serviços, como o da Saúde, serão comprometidos. A esperança está a 40Km, no Açude Umari, em Madalena, e, embora, já tenha ouvido alguns comentários de resistência, água é um bem que não se nega.

A dona de casa Rosa Pereira Torres tem a mesma opinião. Ela mora no bairro Boaviaginha. Por sorte, o poço perfurado quase na porta da sua casa deu água e abastece o chafariz instalado ao lado. Basta atravessar a rua para apanhar os baldes d'água. "Foi uma bênção. Sem o poço, o sofrimento seria grande. Quem quiser saber o que é sofrer é não ter água em casa. Daí se aprende finalmente qual o seu valor. Todo preço que se pagar ainda é barato", comenta.

Esperança é adutora
A natureza tem seus caprichos, a ponto de chover o suficiente para encher um reservatório com capacidade para 35 milhões de m³ na cidade vizinha, Madalena, e o Vieirão não armazenar nada. O Umari também estava completamente seco, mas, de 7 de março a 18 de abril passado acumulou 28,3 milhões de m³, o equivalente a 80% da sua capacidade. A cidade, com cerca de 20 mil habitantes, está aliviada, pois deverá garantir o abastecimento pelos próximos três anos.

Na semana passada, em conversa com internautas pelo Facebook, o governador Camilo Santana confirmou a construção da adutora, ligando o Açude Umari a Boa Viagem. A expectativa é de que a ordem de serviço seja assinada o mais breve. Pelas estimativas da prefeita Aline Vieira, serão necessários pelo menos quatro meses para a adutora ser concluída. "Será um alívio para todos nós", disse.

Quanto à realidade diversa vivida pelas duas cidades, tão próximas, no decorrer da apresentação das previsões para a quadra chuvosa deste ano, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) ressaltou a possibilidade de chuvas localizadas, podendo haver maior concentração pluviométrica em um lugar e noutro, mesmo que bem próximo, ou não serem registradas chuvas.

Com a colaboração do Diário do Nordeste